Posts da Semana

03/10/2009

semana3

Especial Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

09/10: 0 – O Solista (Mostra – SP)

22/10: 1 - A Procura de Eric (Mostra-SP)

26/10: 2 – Ervas Daninhas (Mostra-SP)

28/10: 3 – A Fita Branca (Mostra-SP)

02/11: 4 – 35 Doses de Rum (Mostra-SP).

04/11: 5 – Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Mostra-SP)

06/11: 6 – Alga Doce (Mostra – SP)

09/11: 7 – A Batalha dos 3 Reinos (Mostra-SP)

11/11: 8 – A Ressurreição de Adam (Mostra – SP)

13/11: 9 – Vencer (Mostra-SP)

16/11: 10 – A Ilha de Bergman (Mostra – SP)

18/11: 11 – Deixe Ela Entrar (Mostra – SP)

20/11: 12 – Alô, Alô Therezinha! (Mostra – SP)

23/11: 13 – Mãe (Mostra – SP)


8 – A Ressurreição de Adam (Mostra – SP)

11/11/2009

adam

Tudo caminhava para uma ótima sessão. Cinema parcialmente vazio, brigas por lugares amenizadas, até que alguém levanta antes do ínicio da sessão e esbraveja – “Pessoal a repescagem desse ano só ocorrerá na Cinemateca e no Cinesesc, precisamos nos mobilizar! Vamos mandar um e-mail para a organização!” Ao que a mulher ao meu lado incomodada com tal situação retruca – “Não vou fazer isso com o Leon Cakoff que faz um trabalho maravilhoso trazendo tantas obras para nós.” A discussão precedeu uma produção pela qual nutria imensa curiosidade. A Ressurreição de Adam do diretor Paul Schrader fora um dos filmes mais comentados pela crítica que pontuava uma abordagem pouco comum de um tema tão adaptado pelo cinema – o Holocausto.

Adam (Jeff Goldblum) é um sujeito que caminha entre a genialidade e  a loucura, como forma de tratamento o personagem é encaminhado a um sanatório com outros pacientes que possuem algo em comum, todos ainda sofrem com as consequências do Holocausto. Aos poucos conhecemos a trajetória de Adam , comediante de grande prestígio em uma Alemanha prestes a ser dominada pelo regime nazista. As memórias de Adam são inseridas no decorrer do filme como flashbacks ou inserções longas que revelarão a ruína do personagem, sua família será desintegrada pelos campos de extermínio e a humilhação será extrema, visto que Adam ficará sob aprisionamento do Comandante Klein (Willem Dafoe).

Klein destitui o caráter humano de Adam o transformando em animal de estimação, situação que em diversas passagens volta a mente de nosso personagem, atormentado pelo passado. Adam é um sujeito mítico, permeado por certa magia e que parece prever tudo que o cerca. Será dessa forma que descobrirá algo no sanatório que causará grande intriga. Preso em um dos quartos, existe uma criança com comportamento animalesco. Tal personagem próxima ao Garoto Selvagem de François Truffaut transformará o ambiente. Inicialmente rejeitada por Adam é nela que ele encontrará a ressurreição necessária para superar seus piores traumas.

A proximidade entre Adam e o Garoto Selvagem transformará a vida de ambos, já que o comportamento canino da criança lembra toda a humilhação sofrida pelo personagem no campo de concentração. Nesse momento Schrader desenvolve 3 núcleos narrativos que formam uma teia ao redor de Adam, muito bem interpretado por Jeff Goldblum. Entretanto falta uma certa força ao filme que tem pontos altos e baixos durante toda a narrativa, destaque para as cenas entre Adam e a enfermeira do sanatório, momento cômico em que ele destila seu poder de sedução sobre uma personagem ninfomaníaca.

Infelizmente uma cabeça enorme privou meu olhar da parte técnica da obra. Tive o azar de sentar algumas fileiras atrás de um sujeito que tinha o corpo do Gustavo Borges e a cabeça do Selton Melo, fato que atrapalhou o acompanhamento das legendas digitais. Infelizmente ainda existem aqueles que acham que estão sozinhos nessa existência. Diversas pessoas acompanharam o filme de pé por conta de um cabeção. Eis um azar que ocorre algumas vezes na jornada cinematográfica. Futuramente voltarei a ver o filme, obra mediana que criativamente desenvolve um tema tão delicado na história da humanidade.


7 – A Batalha dos 3 Reinos (Mostra-SP)

09/11/2009

3reinos

Cada vez espero menos do cinema chinês, pelo menos das produções que desembarcam em nosso país. Desde o sucesso e merecido reconhecimento de O Tigre e o Dragão (produção que inclui outros países) percebo que as obras seguem uma linha que peca pela similaridade. Há muita tradição, heroísmo, pirotecnias e coreografias no embate entre os grupos que rivalizam as histórias épicas chinesas. Essa fórmula re-aparece em A Batalha dos 3 Reinos de John Woo. Comecei a respeitar Woo ao assistir o seu curta Song Song na produção Crianças Invísiveis da Unicef. Não a toa o trabalho encerra a seleção internacional com uma alta dose dramática.

Confiei em Woo e principalmente em Tony Leung, ator presente em diversos filmes de Wong Kar Wai. Porém me decepcionei ao ver mais do mesmo, em uma produção de alto orçamento e elevado refinamento visual. O primeiro choque está na narração inicial em inglês, idioma que desaparecerá como fumaça do restante do filme. A impressão é que faltaria uma introdução para o público estrangeiro, portanto uma decisão de quem injeta a verba serviria de explicação. Logo adentramos em uma jornada épica onde os personagens serão apresentados de forma clássica, cada general é nomeado, porém a principal diferenciação não será pelo nome, mas talvez pelo corte de cabelo, barba e figurino.

Algo incomoda na produção, talvez seja a proximidade com a narrativa de O Senhor dos Anéis, visto que os personagens desenvolvidos no filme parecem cópias dos imortalizados na literatura de Tolkien, apesar de Woo adaptar um romance de 1350. O general barbudo e ranzinza lembra o anão Gimli, enquanto temos uma mistura da figura sábia de Gandalf com o lado élfico de Legolas no general que desfila sabedoria em trajes brancos. Aragorn não fica de fora, já que Tony Leung encarnará a figura heróica para proteger sua fortaleza, uma réplica da Gondor de Peter Jackson. Há também a figura feminina e sua vontade de participar do conflito armado como nossa rejeitada princesa Eowyn. Por questões narrativas não temos o anel nem seus principais protetores – Frodo, Sam e Smeagol.

Não há uma aparente razão para escolhermos um lado na batalha dos 3 reinos, porém a história e a direção de Woo nos encaminham para tal decisão. A velha máxima do Bem x Mal e dos sacrifícios por um futuro melhor expulsa-nos do reino de Cao Cao (Fengyi Zhang). A parte técnica incluindo direção de arte e fotografia são primorosas, porém o desenvolvimento de um tema tão batido irritará os mais exigentes. Nos longos 150 minutos, encontramos tudo que caracteriza o gênero guerra/épico, desde as batalhas sangrentas até o desenvolvimento de relacionamentos amorosos fundados em estereótipos. A batalha final colocará os rivais frente a frente, num destino que tende a premiar sempre a bondade.

John Woo nos apresenta uma ficção com poucos parâmetros com qualquer tempo/realidade, eis uma nação sempre pronta a guerrear, sem necessidades básicas ou descontentamento público. Essas são as histórias baseadas na tradição / heróismo, espaço onde os valores sobrevivem na sua forma mais utópica. A luta é arte, um balé de vidas perdidas onde o mais importante é a estética e não o ser. A Guerra é inerente ao Homem, mas que seja justa e inesquecível, já que desta forma poderá ser imortalizada na linguagem literal e/ou cinematográfica. O Reino de Woo algumas vezes clama pela Paz mas será através do conflito armado que os principais desentendimentos serão resolvidos. Há do que nos orgulharmos em tanto sangue derramado?


Esse Teu Olhar

08/11/2009

modi

“Esse teu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas que eu não posso acreditar…
Doce é sonhar, é pensar que você,
Gosta de mim, como eu de você…
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração de quem sonhou,
Sonhou demais…
Ah, se eu pudesse entender,
O que dizem os seus olhos.”

Tom Jobim


Anselmo Duarte

07/11/2009

Mais uma perda na semana. Faleceu o único diretor brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. O ano foi 1962 e O Pagador de Promessas foi agraciado com o prêmio que alguns filmes nacionais ainda cobiçam. Parabéns a Anselmo Duarte pelo belo filme e pela contrbuição como diretor, roteirista e ator. Descanse em paz, as principais promessas se materializaram em reconhecimento.

1920 – 2009

cruz


6 – Alga Doce (Mostra – SP)

06/11/2009

Tatarak

Lembro-me do calor, alguns copos de chopp, uma sala de cinema cheia e abafada. De repente vejo que Alga Doce, filme de Andrej Wajda está na metade do percurso. O calor misturado ao álcool, cansaço e lentidão privou-me do ínicio e do entendimento total da obra. Ao acordar fiquei perdido em um filme complexo que mistura adaptações literárias a uma história real, a morte de Edward Klosinski, diretor de fotografia, vitima de câncer, e esposo da atriz Krystyna Janda. Ambos são velhos colaboradores de Wajda, portanto o filme serve como homenagem ao casal, já que resgata os últimos dias de Klosinski através do monólogo produzido por Janda.

Percebi antes do cochilo que não seria uma produção fácil de digerir, Wajda tem um ritmo peculiar, próximo a lentidão, gosta de contar a história com calma. Nas narrações de Janda a câmera fica parada, não há mudança de planos, somos obrigados a fixar nosso olhar na tristeza da atriz. Depois mudamos de ambiente e conhecemos um médico e sua esposa prestes a falecer, a mesma desconhece a gravidade da própria doença. Wajda trabalha vida e morte em várias passagens, como na paixão que Marta (Krystyna Janda) nutre por Bogus (Pawel Szajda), um jovem com idade bem inferior a dela.

Bogus é um sujeito acomodado, apaixonado por outra garota, o personagem procura em Marta a referência que pode suprir sua falta de experiência no relacionamento amoroso. Já Marta encontra o prazer que falta a sua idade na juventude e inocência de Bogus. Tal relação provocará ótimas cenas como no encontro em que ele mergulha para recolher as algas doces que intitulam a obra. O rio parece o espaço onde ambos inverterão a pulsão, enquanto Marta desperta para a vida, Bogus terá um fim trágico. O próprio Wajda aparece na condução da ficção, misturando a adaptação com a morte de Klosinski.

Para um filme complexo, nada melhor do que estar descansado para direcionar toda a atenção necessária. Eis um obra como uma ótima idéia mas que precisarei rever para consolidar uma opinião. Gostei do pouco que assisti. Wajda estudou em Lódz, escola pelas quais passariam Polanski e Kieslowski. Gosto tanto de Danton que preciso pagar o pecado cometido. Sinto que dormi a beira do rio e a história correu junto com as águas que não voltam mais.


5 – Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Mostra-SP)

04/11/2009

Viajo

Que parceria fantástica formam Karim Ainouz e Marcelo Gomes. Recordemos o belo trabalho desenvolvido em Madame Satã; Cinema, Aspirinas e Urubus e o Céu de Suely. As últimas produções, enraizadas no nordeste carregam toda minha admiração, visto as dificuldades para conseguir apoio num cenário nacional que paulatinamente volta a reproduzir histórias fora do eixo Rio – São Paulo. O mesmo acontece em Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, título próximo ao universo construído por Mia Couto em suas obras literárias. Só o nome do filme vale o preço do ingresso, dirá a poética que segue toda a obra.

Nessa nova empreitada conhecemos um viajante, o narrador perdido na aridez dos próprios pensamentos, suspiros e lamentações. Na primeira parte do filme percorremos a estrada, e viajamos através da lente de uma câmera que nunca revela o corpo que dita o ritmo. Uma voz pode soar estranha ao começo, mas logo se adequa as imagens. Sentimos a solidão do personagem naquele ambiente um tanto vasto, nossa estrada tem buracos que alguns insistem em cobrir com areia para levar algum trocado. Não é uma experiência fácil, algumas vezes as imagens parecem repetidas, entediantes mas são fudamentais na contrução da narrativa.

Logo percebemos o descontentamento de nosso personagem, um geólogo num terreno pobre, onde pouco brota. A distância da amada irrita o narrador que conta os dias para a volta, em meio a cenários que vão do deserto total até as movimentadas festas populares de algumas cidades da região. As referências religiosas passam sem qualquer incomôdo assim como as músicas típicas, baladas bregas que fizeram sucesso por todo o país. A cômica Morango do Nordeste não desagrada os ouvidos mais rigorosos pois encaixa-se perfeitamente ao contexto da obra.

Tanto amor encaminha o filme ao turning point, momento no qual o narrador revela sua situação com a amada. O teor apaixonado do personagem passa por uma grande transformação. A lente que explorava espaços vazios logo começa a observar a prostituição da região. Mulheres de todos os “tipos” interessam nosso narrador que não tem pudor ao tratá-las como simples objetos de prazer. Eis um dos pontos altos – a forma como o filme desenvolve os sentimentos pela narração acompanhada de imagens. Os sentimentos mudam, a entonação e as imagens acompanham. A viagem, motivo de tristeza inicial torna-se fundamental para a superação de um trauma. Viajo porque preciso, mas e a volta? Será mesmo por amor?

A ótima fotografia misturas diversos tipos de película, desde o rústico Super 8 até material digital. Esse mix de formatos contribui para a atmosfera poética, produzindo diversos olhares para cenas semelhantes. Tanta poesia e deu vontade de escrever na parede – Viajo porque preciso, volto porque te amo – mas não será necessário, a expressão permanecerá viva na memória. Para quem não acredita na riqueza do nordeste verá que a produção é uma obra de arte trabalhada com os elementos disponíveis. Que bom que tal concepção tenha uma mãe cearense e um pai pernambucano, fato que só aumenta nossa vontade de ter uma “Vida-Lazer”.


A Ressuirreição Cultural de Lévi-Strauss

03/11/2009

strauss

Certa vez meu orientador de mestrado contou uma história engraçada. O genial Claude Lévi-Strauss fora questionado por um entrevistador – Sr. Claude, se a máquina do tempo existisse, qual o período histórico que o senhor gostaria de conhecer, visitar? Incomodado com tal questionamento Lévi-Strauss responde – Nenhum! Eis que o entrevistador retruca – Por que? E então a surpresa – Pois veriamos que toda a teoria que temos sobre as sociedades não condiz com a “realidade” construída pelo nosso tempo, perceberíamos que estávamos todos errados sobre tal passado. A aparente brincadeira de Lévi-Strauss traz diversos questionamentos quanto a contrução histórica e os rumos de agumas ciências ligadas a História e própria Antropologia.

Hoje recebo a triste notícia do falecimento aos 100 anos daquele que no meio acadêmico é mais do que uma simples referência. Claude é pai da antropologia estruturalista e um dos principais teóricos do século passado. A relação de Lévi-Strauss com nosso país é forte, já que parte de suas principais pesquisas foram realizadas junto a grupos índigenas brasileiros. Strauss ajudou a erguer a recém-fundada Universidade de São Paulo, lecionando sociologia. Que honra para a USP! Um brinde para um dos homens que apresentou ao mundo a proximidade que os povos indígenas tem com nossa sociedade que clama ser tão “avançada”. Strauss balançou o termo cultura desbravando espaços ainda desconhecidos pela ciência. Se o seu corpo veio a falecer, suas idéias serão imortais. Que descanse em paz, tomando um café em outro universo com o amigo Sartre.


4 – 35 Doses de Rum (Mostra-SP)

02/11/2009

35shots

Há certos filmes que nos procuram, apresentam-se delicadamente nas situações mais simples. Estava na fila do cinema quando escutei comentários sobre as já famosas 35 Doses de Rum. Mesmo com o pensamento em outra obra (Ervas Daninhas) consegui guardar o título, talvez por conta da referência a uma bebida que nunca apreciei. Não contente com nosso primeiro contato, eis que o filme começa a aparecer nos principais meios sobre cinema que participo. Com um tiro no escuro fui atrás da obra, conseguindo uma vaga pra lá de disputada.

Aquilo que alguns nomeiam enquanto destino apresentou-me uma produção magnífica. 35 Doses de Rum da minha então desconhecida Claire Denis é sutil do ínicio ao fim, fato que não tira a densidade da obra, calcada na relação quase poética entre pai e filha. A princípio conhecemos a rotina de Lionel (Alex Descas), um maquinista que percorre vias com diversos caminhos, porém  no trabalho não há o “livre-arbítrio” encontrado no espaço privado. Em diversas passagens nosso olhar recai melancolicamente sobre o trilho do trem conduzido por Lionel. Trata-se de um processo parecido ao flanar de Charles Baudelaire, já que enquanto espectadores somos tomados pelo prazer poético do passeio, no então desconhecido campo de sons e imagens.

A figura reservada de Lionel, prestes a se aposentar, encontra conforto na juventude da filha Joséphine (Mati Diop). Ambos compartilham poucas palavras durante toda a narrativa, mas será na troca de olhares e gestos que o filme construirá sua base. Prestes a sofrer uma grande transformação, a relação de ambos é acompanhada pelos vizinhos e amigos de trabalho, pessoas com rotinas comuns e que partilham momentos de prazer juntas. Lionel desconfia que ficará sozinho, fator que não interfere radicalmente no amor que nutre, eis um pai que está mais preparado para a independência do que a própria filha.

A relação de Lionel e Joséphine com quem os cerca é marcada por um distanciamento estranho. Tal situação é comprovada pelo silêncio presente nas cenas entre a família e outros personagens. Um colega de trabalho recém aposentado termina por afirmar que Lionel nunca foi de falar muito. O filme também não é de dialogar, mas nos conta muitas coisas, apresentando um grupo de imigrantes em uma Paris sem Torre Eiffel. Ficamos isolados no círculo de Lionel e Joséphine, presos a um cotidiano sem nacionalidade e preconceitos demarcados. O contexto do filme é comum a diversos países, são histórias de pessoas simples perdidas entre a multidão, uma mão-de-obra anônima e esquecida. Temos o maquinista e uma taxista – onde estariam os passageiros?

35 Doses de Rum resgata um tipo de cinema construído primorosamente por Antonioni, Kieslowski e principalmente Yasujiro Ozu, salvo as grandes diferenças. Há muito na obra que não pode ser representado através de palavras, portanto as imagens e a música carregam extrema importância. Destaque para a maravilhosa parte técnica, composta por ótimos enquadramentos e por uma montagem limpa. A trilha-sonora e o leitmotiv musical da banda tindersticks solidificam o filme que comete poucos pecados em seus 100 minutos. Quanto ao significado das 35 doses? Saí embriagado do cinema, eis uma dúvida a ser saciada com a apreciação do Rum ao som da música Nightshift da banda Commodores.