Guerra à Avatar

03/02/2010

Não há como negar que prefiro o Festival de Cannes ao Prêmio da Indústria do Cinema. Porém não podemos desmerecer uma premiação com mais de 80 anos, já que, Hollywood tem imensa história e não está fundada apenas em filmes “comerciais” e Blockbusters como muitos esbravejam. Enunciei em outras ocasiões minha opinião quanto às premiações e a quantificação da qualidade de um objeto. Gosto é um atributo pessoal e estabelecer se algo ou alguém é melhor é um exercício que serve para premiar o esforço de um determinado grupo ou pessoa. O Oscar serve ao interesse da indústria americana e seu sistema de estrelato, em constante renovação e adaptação às novas demandas de mercado. Portanto o título de vencedor configura-se enquanto uma chancela que confirma o “padrão de qualidade” de uma produção selecionada entre milhares de  candidatos possíveis.

Com a divulgação dos concorrentes ao Oscar 2010 temos um indicio do quão acirrada será a disputa entre Avatar e Guerra ao Terror, filmes que lideram as estatísticas com 9 indicações cada. Contudo apenas duas categorias despertam forte atenção, justamente, as mais importantes da glamorosa noite – Melhor Filme e Melhor Diretor. A re-estruturação da categoria Melhor Filme parece adequada se pensarmos na queda de audiência que o evento teve nas últimas décadas, porém, mesmo com a inserção de 5 filmes é evidente que uma lista como esta restrinja seus favoritos à apenas duas ou três produções. Nos corredores da academia ainda sobram insatisfeitos que lamentam a ausência no ano anterior de O Cavaleiro das Trevas e de Christopher Nolan nas categorias citadas.

Algumas produções que seriam comumente preteridas ganham ao menos a chance de concorrer ao prêmio na 82º edição do Oscar, elevando a curiosidade do público. Obviamente toda a atenção estará voltada para Avatar e seu diretor, James Cameron, visto que tecnicamente algumas estatuetas já foram grafadas com o nome de integrantes da produção. A alta tecnologia empregada em Avatar pode ter como obstáculo um filme envolvente, que trata com muita propriedade de um tema ambíguo para a sociedade americana – A Guerra. Guerra ao Terror, filme até pouco desconhecido do público brasileiro apareceu com destaque na premiação da Associação dos Diretores de Hollywood, fato que coloca em dúvida a supremacia do povo Na’vi na premiação do próximo dia 07/03. Embora seja um rival à altura, Guerra ao Terror perde no quesito marketing e tecnologia, visto que não causou frisson global e nem faturou tão alto quanto seu principal concorrente.

A incógnita parece grande, se Avatar ganhar o prêmio de Melhor Filme talvez o posto de Melhor Direção fique justamente com Kathryn Bigelow, ex-mulher de Cameron, pelo ótimo trabalho em Guerra ao Terror. Porém sinto que Avatar provocará um tsunami digno de afundar um Titanic. O que parece certeza entre todas as indicações, excluindo as técnicas, padece sobre o ganhador dos prêmios de atuação coadjuvantes. Dificilmente Christoph Waltz não levará para casa o Oscar de melhor ator, o mesmo acontecendo com Mo’nique na categoria feminina. Se prevalecer o interesse da indústria, Avatar será o grande vencedor da noite, fato que premia não só a equipe envolvida com a produção mas também os espectadores encantados com o artefato tecnológico de Cameron. Deixando as previsões de lado ficaria imensamente feliz se The Hangover (Se beber, não case) repetisse a vitória do Globo de Ouro, faturando o principal prêmio da noite, contudo o cômico filme não apareceu entre os indicados da Academia.

Seguem minhas previsões:

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O Touchdown de Nelson Mandela

23/01/2010

Invictus, filme do maestral Clint Eastwood tinha tudo para ser perfeito. Primeiro por narrar um nuance da trajetória de vida de um homem de destaque na história da humanidade. Segundo pelos êxitos anteriores do diretor  com A Troca e Gran Torino, filmes com roteiro e direção afinados. E finalmente por contar com um sóbrio Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela. Contudo Invictus não passa de um filme para americano ver, obra que requenta o velho patriotismo esportivo. A história recheada de momentos emotivos é mais do que perigosa.

O objetivo da produção é apresentar como Nelson Mandela após sair da prisão e assumir a presidência da África do Sul, consegue unir uma nação fragmentada em torno de um evento esportivo. Para tal o presidente lutará a favor da manutenção da seleção de Rugby do país, uma clara expressão da divisão racial, visto que o grupo de atletas é essencialmente composto por homens brancos. Porém a rejeição da população pelo time será remediada com a Copa do Mundo de Rugby, evento essencial para a esperança de um país com diversos problemas econômicos e sociais.

No filme temos um Nelson Mandela marqueteiro, cego por uma conquista que daria visibilidade a um país envergonhado. Uma das cidadãs reivindica um transporte coletivo melhor e mais barato mas todas as questões sociais são abafadas pela emoção do esporte. A própria visita da seleção de Rugby à regiões carentes aparece como algo paliativo já que a ação não transforma efetivamente a triste realidade da população, propiciando apenas uma alegria passageira. O Mandela de Eastwood não se contém nas reuniões e a todo momento procura informações sobre o resultado dos jogos.

Como nos infindáveis filmes de fundo esportivo o que vale é a união. Esforçar-se ao máximo por uma paixão ou objetivo. Invictus não muda essa máxima, só alterando o contexto e o esporte, ao invés da periferia e o futebol americano temos a África do Sul e o Rugby. Todo o real esforço de Mandela para a unificação e desenvolvimento do país não foi construído apenas com a Copa do Mundo de Rugby. O presidente-torcedor do filme de Eastwood gera desconforto e parece defensor da política de pão e circo, na qual a diversão ilude a população quanto às mazelas sociais.

Se bem construído tecnicamente o filme sofre com atuações fracas, o personagem de Matt Damon não é carismático, característica importante para o líder de uma seleção esportiva. O próprio Morgan Freeman faz o feijão com arroz do já visto em suas inúmeras interpretações. Enfim  após outras belas construções audiovisuais, Clint Eastwood cai na superficialidade de um campeonato que não vale a associação com o nome de Mandela. Fica o destaque para o esporte e sua imensa capacidade de alienar o sujeito. Que a África do Sul esteja preparada para receber a Copa do Mundo de 2010!


A Estrada Sombria

17/01/2010

Não há luz no fim do túnel em The Road, adaptação do australiano John Hillcoat para o livro do americano Cormac McCarthy. Aliás há poucas cores durante toda a produção, que me lembre apenas nos flashbacks e em uma cena onde um arco-iris tímido aparece entre a queda d’água de uma cachoeira. Se não existe vida, apenas uma sobrevivência sub-humana, o acinzentado da destruição é a tonalidade mais adequada para a história que destacará a luta de um pai (Viggo Mortensen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee) contra um destino imutável. Na convivência entre ambos, a construção de valores essenciais para uma época mórbida é algo significativo durante a narrativa.

Ao contrário de filmes onde paulatinamente conhecemos a origem do caos estabelecido, em The Road essa informação será irrelevante, já que em tempos de pessimismo, o apocalipse parece inevitável. Entre paus e pedras o que vale é a sobrevivência do mais forte e sábio sobre o mais fraco. Poucos restaram e o temor frente ao canibalismo separa e gera a desconfiança em relação ao outro. Em tais circunstâncias pai e filho são nômades a procura de alimento e abrigo, mas sobretudo portadores do “Bem” em uma sociedade devastada. Em diversos diálogos o pai frisa que eles são “Homens Bons” enquanto os demais provavelmente façam parte do grupo dos “Homens Maus“.

O filho faz o papel do “escolhido“, a esperança de uma raça extinta. Porém o perigo iminente do “outro” ameaça a sobrevivência de ambos personagens. A  proteção ocorre atrávés de um revólver e de uma única bala, tal sempre a favor do suicídio do filho em caso de captura. Nesse caso a vida estará diversas vezes em xeque, a favor de uma morte digna. Perde-se a existência, porém, jamais a honra. A resistência do pai é um sacríficio pelo filho, pela crença no outro e no seu poder de superação. Contudo o questionamento sobre a validade de tamanho sofrimento fica latente na importância da arma e seu poder frente ao destino.

O caminho é tortuoso e as pessoas que o cruzam são perigosas já que tendem a atrapalhar a relação familiar. O ambiente é seco e frequentemente desmorona, ao contrário do amor do pai perante o filho que permanece inatingível durante toda a narrativa. Imagino o quanto perdemos nesta adaptação cinematográfica, visto o abismo entre o cinema e a literatura, poucas vezes bem preenchido. Como não realizei a leitura da obra de McCarthy, não consigo exprimir qualquer comparação, mas de certo que o filme despertou meu interesse pelo livro. Já é a segunda adaptação que assisto do autor, a outra fora através do também sombrio Onde Os Fracos Não Tem Vez.

Destaque para a atuação de Viggo Mortensen, um ator que soube escolher bons filmes para atuar após sua explosão na trilogia O Senhor dos Anéis. Outro ponto impressionante é a maquiagem bem composta, que apresenta um irreconhecível Robert Duvall no papel de um homem velho. Infelizmente The Road é só mais um filme dentre a avalanche pessimista que aborda o fim da humanidade, seja através dos desastres naturais ou da auto-destruição. Não há nada de novo além de boas interpretações e uma boa estrutura. O filme segue pela mesma estrada sombria iniciada pelo cinema catástrofe… há muito tempo atrás numa galáxia distante…


Azul Celeste

11/01/2010

ERIC ROHMER

04/04/1920 – 11/01/2010


Virtualização sem Escalas

11/01/2010

Inicialmente Amor sem Escalas (Up in the Air) de Jason Reitman parece um filme sem muitas emoções. Assim como Juno, a grande sacada estará em situações cotidianas entrelaçadas por um belo roteiro. A produção começa com imagens áereas, espaço onde Ryan Bingham (George Clooney) fará as escalas necessárias ao seu trabalho, ocupação não muito agradável. Ryan é um agente contratado para realizar demissões em empresas que tercerizam a função no intuito de evitar choques e conflitos com os funcionários demitidos. Tal cargo vem a calhar em uma época onde a crise financeira reduz os postos de trabalho e estremece a economia.

Aos poucos fica perceptível que Ryan é um sujeito metódico, solitário e portador de um objetivo um tanto estranho – colecionar milhas áreas em suas diversas viagens pelas cidades americanas. Porém quando o fator tecnológico ameaça seu cargo, o personagem evidenciará um lado humano apurado. O homem frio e de negócios fica incomodado com a virtualização de sua atividade, intermediada por um computador, uma câmera e uma conexão com a internet. A idéia consiste na redução de custos e padronização do trabalho de Ryan, porém tal praticidade mostra-se banal em uma das melhores cenas da produção, o teste final do equipamento com um sujeito prestes a perder o emprego.

A péssima relação homem x máquina fica latente na desumanização que o funcionário passa em frente ao computador, momento de extrema solidão e abandono. Porém em outras cenas o filme provocará reflexões sobre nossas relações com a tecnologia. O celular é outra arma potente com o término de relacionamentos ou abandono de emprego via SMS. A crítica de Reitman fica bem dissolvida na produção e até perde a força necessária para estremecer a audiência frente a algo tão grave. A própria postura de Ryan é mecânica em determinadas situações, como visto nos procedimentos de embarque no aeroporto ou abordagens pessoais com amigos e família.

Além de acompanhar as viagens de Ryan, o filme apresenta sua relação com Alex (Vera Farmiga), paixão conquistada em uma das viagens, caso que não evolui por conta da Filosofia do personagem que dificilmente se envolve emocionalmente com alguém. Há também a jovem Natalie (Anna Kendrick) que acredita piamente no projeto tecnológico, sua  inexperiência aparece durante as entrevistas com os demitidos, momentos constrangedores dos quais a personagem não consegue se desvencilhar. Talvez por isso a tecnologia seja tão importante ao mascarar um momento tão delicado. Já a família de Ryan emerge com o casamento de sua irmã, evento que serve para confirmar o isolamento do personagem.

Paulatinamente chegamos ao final, os personagens passam por uma virada de certa forma surpreendente. O ritmo balanceado lembra Juno, mas Amor sem Escalas tem pouco para ser comparado com outra produção. É um filme gostoso, café com leite, um candidato a ser lembrado nas premiações mas que provavelmente passe batido durante o anúncio dos vencedores,  fato que não o desmoraliza. Se há algo que a produção faz bem é demonstrar que alguns vivem com os pés na terra e a cabeça nas nuvens.  A tecnologia e o impacto nas relações humanas aparece muito bem no último voo de Jason Reitman. Parece que não fui o único na face da Terra a ser demitido através de uma mensagem virtual.


A Mulher de Touro

03/01/2010

Vickie e Jake La Motta

O que é que brilha sem
Ser ouro? – A mulher de Touro!
É a companheira perfeita
Quando levanta ou quando deita.
Mas é mulher exclusivista.
Se não tem tudo, faz a pista.
Depois, que dona de casa…
E à noite ainda manda brasa.
Sua virtude: a paciência
Seu dia bom: a sexta-feira
Sua cor propícia: o verde
As flores de seus pendores:
Rosa, flor de macieira.

Vinicius de Moraes


Melhores do Ano (2009)

31/12/2009

Perdi a conta do número de filmes que assisti este ano. Fato que deixou o exercício abaixo extremamente difícil. Para a escolha tive por base as produções lançadas e vistas esse ano no nosso país. Portanto perceberão que boa parte dos filmes citados pode ser de 2008, mas que aparecem na seleção pelo atraso já conhecido das nossas distribuidoras. Se fosse escolher os filmes que mais me chamaram a atenção neste ano ficaria com três: Anticristo (Lars Von trier), Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino) e Avatar (James Cameron), respeitando a ordem de lançamento dos mesmos. Porém como listas envolvem o gosto pessoal pode ser que achem  surpresas com alguma produção que sequer tenham ouvido falar. Mas é justamente por isso que divulgo as obras abaixo, como indicação para quem andou meio perdido nos cinemas este ano.

FELIZ 2010!

GUERRA AO TERROR – KATHRYN BIGELOW

O filme passou despercebido no Brasil com o título vago de Guerra ao Terror. Mas quem teve a sorte de ver The Hurt Locker percebeu que a produção não é apenas mais um filme sobre a guerra do Iraque. O desenvolvimento dramático ganha força com a ausência daquele patriotismo tolo que atrapalha o gênero. A tensão permanece  em todo o filme já que o mergulho é em um território extremamente perigoso e desconhecido. A explosão é iminente e as atuações enriquecem o ótimo roteiro.

ANTICRISTO – LARS VON TRIER

Que história é essa de anti-prêmio? Bom a idéia não foi minha e sim do Júri Ecumênico do Festival de Cannes ao dar ao filme AntiCristo do dinamarquês Lars Von Trier o chamado anti-prêmio. Não poderia deixar de lembrar da produção mais polêmica do ano. AntiCristo é um exercício artístico difícil de ser recomendado para alguém, tamanha violência psicológica que o filme transmite. Enfim preciso citá-lo mesmo sabendo que muitos o depreciarão. Lá no fundo nós carregamos alguma insanidade.

MICHAEL HANEKE – A FITA BRANCA

Não é de hoje que Haneke se destaca enquanto diretor. Premiado no último festival de Cannes com esta mesma produção, o austríaco mostra que é capaz de provocar tensão no espectador sem uso abusivo de violência. Para muitos A Fita Branca deve passar como um filme longo e chato mas para mim demonstra a qualidade técnica de Haneke, sujeito que definitivamente entra para o Hall dos grandes diretores de cinema.

NEILL BLOMKAMP – DISTRITO 9

Inverter a posição Bem x Mal entre Homens e Alienígenas, misturar e organizar diversas mídias (Ficção, Documentário e Telejornalismo) e jogar tudo isso no meio de Joanesburgo traz destaque ao Roteiro de Distrito 9, desenvolvido pelo estreante Neill Blomkamp. O filme consegue prender a atenção do espectador no que parece uma paródia tanto do cinema quanto do terrível regime de segregação racial experenciado pela África do Sul. Neill consegue ajustar bem o roteiro para um bom filme de ficção-científica, de baixo orçamento se comparado as outras produções do mesmo gênero.

HYE-JA KIM – MADEO

O indicado sul-coreano a estatueta de melhor filme estrangeiro do Oscar 2010 traz uma atriz a altura de seu título (Madeo = Mãe). O Filme é no mínimo estranho mas  tem uma atuação de destaque de Hye-ja Kim no papel de uma mãe capaz de tudo para defender o próprio filho. Hye-ja  consegue despertar pena e ira ao longo de todo o filme. Como dizia o velho deitado – Mãe é uma só!

JAMMIE FOXX – O SOLISTA

O diretor Joe Wright teve que frear e aconselhar muito Jammie Foxx durante as gravações de O Solista. Foxx encarnou o papel de tal forma que a equipe temeu pela saúde do ator. O resultado pode ser visto no ótimo, porém complicado desenvolvimento de um personagem esquizofrênico, morador de rua mas com uma aptidão musical que o levou até a Julliard School, uma das mais famosas escolas de música do mundo.

CRISTOPH WALTZ – BASTARDOS INGLÓRIOS

Inegável que este talvez tenha sido o papel da vida de Christoph Waltz, um austríaco que salvou o Coronel Hans Landa e impulsionou o último banho de sangue de Quentin Tarantino ao topo dos melhores filmes do ano. Tarantino quase desistiu do personagem por não localizar um ator que fosse fluente em todos os idiomas propostos nos diversos diálogos (Alemão, Francês, Inglês e Italiano), porém encontrou em Waltz um desenvolvimento dramático tão bom quanto a ciência lingüística. A verdade é que Waltz coloca os outros personagens do filme no chinelo participando das melhores seqüências da obra.

MIHAI MALAIMARE – TETRO

Se Tetro marca um novo retorno para Francis Ford Coppola, destaca-se sobretudo pelo primor fotográfico. O último filme do diretor norte-americano é em preto-e-branco mas com flashbacks coloridos, inversão diegética muito bem trabalhada ao longo da obra por Mihai Malaimare Jr.

HERVÉ DE LUZE – ERVAS DANINHAS

Não deve ser fácil editar as produções do diretor francês Alain Resnais. Porém Hervé de Luze é um velho conhecido do cineasta e mais uma vez faz um trabalho sóbrio ao deixar a nova produção inteligível, tamanha variação sonora e fotográfica encontrada no decorrer do filme.

O EQUILIBRISTA – JAMES MARSH

O que impulsiona um homem a andar num cabo de aço entre as duas torres do World Trade Center? Qual seu interesse, motivos? Quem é esse homem? Como realizou tamanha proeza? Tais respostas aparecem em O Equilibrista, documentário que varre o planejamento de Philippe Petit até a execução da então inimaginável travessia.

KRAKED UNIT – PARIS

O título de melhor trilha-sonora vai para Kraked Unit pela composição da trilha de Paris do diretor Cédric Klapisch, visto que as composições se ajustam perfeitamente ao ritmo da obra e a bela fotografia da Cidade das Luzes.

AVATAR – JAMES CAMERON

Não seria justo não dar o título ao filme de James Cameron. O diretor esperou mais de 10 anos para que a tecnologia fosse capaz de atender as suas expectativas. Pela reação mundial a espera valeu a pena. Avatar é um primor tecnológico, bem a frente dos seus principais concorrentes neste ano.

VALSA COM BASHIR – ARI FOLMAN

Ari Folman desenvolve um filme denso, dramático. A animação Valsa com Bashir reúne traços e cores que se adéquam a tragédia retratada. Se filmado enquanto documentário convencional talvez o filme não tivesse o apelo que tem enquanto animação documental.

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA – LAURENT CANTET

A categoria é nova e visa retratar algum filme que possa contribuir para a reflexão de educadores. Entre os Muros da Escola apresenta uma escola francesa localizada na periferia de Paris, logo um dos professores participará de um grave conflito que trará grandes questionamentos a instituição.

FRINGE – FOX

Fringe, mais uma boa sacada do produtor J.J. Abrams. A série baseia-se em diversos eventos estranhos, investigados pelo FBI. Até o momento nenhuma novidade, a diversão fica por conta dos diálogos e arquétipos dos personagens envolvidos na trama.

LAST NAZIS – BBC

Ainda existem nazistas soltos por aí? Senhores de aproximadamente 90 anos de idade que permanecem impunes? A BBC desenvolve uma série em três episódios que investiga o paradeiro dos últimos fugitivos do cruel regime de Adolf Hitler. Boa série que fomenta diversas reflexões sobre a caçada e destino  dos envolvidos na barbárie.

LIZ – OS SATYROS

Se fosse escolher uma peça de teatro marcante este ano, escolheria minha própria produção – Olhares. Mas como tenho humildade suficiente passo o prêmio para Liz pelo ótimo texto, figurino e interpretação dos atores da Companhia Os Satyros.

ANO DA FRANÇA NO BRASIL

Não deu para escapar do Ano da França no Brasil. Com eventos em todo o país conseguimos conhecer melhor uma nação tão influente na nossa cultura. Pela bela organização foi o evento de destaque neste ano.

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SELEÇÃO INTERNACIONAL

O Mundo é Grande e a Salvação Espreita ao Virar a Esquina (Bulgária)

A Teta Assustada (Peru)

Amantes (EUA)

Casamento Silencioso (Romênia)

Almoço em Agosto (Itália)

Alga Doce (Polônia)

Home (Suiça)

Há Tanto Tempo que Te Amo (França)

A Criada (Chile)

A Partida (Japão)

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SELEÇÃO NACIONAL

A Deriva (Heitor Dhalia)

Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Karim Ainouz e Marcelo Gomes)

É Proibido Fumar (Anna Muylaert)

Salve Geral (Sérgio Rezende)

Jean Charles (Henrique Goldman)


A Guerra é uma Droga mas o Filme é …

31/12/2009

A abertura de Guerra ao Terror deixa explicita a opinião da diretora Kathryn Bigelow em relação ao conflito no Iraque – A Guerra é uma Droga. Após a bela definição entramos em território hostil, recheado de artefatos explosivos. A sequência revela que acompanharemos um esquadrão anti-bombas pronto a desarmar mais uma armadilha de rebeldes iraquianos. O cuidado na aproximação do objeto cria a tensão necessária ao filme de guerra, um gênero onde a morte parece programada a acontecer na cena seguinte. Sabemos que a bomba existe mas ela não está isolada, já que o entorno é povoado de iraquianos que observam o trabalho de três sujeitos. Um desarma a bomba enquanto os outros dois dão cobertura ao primeiro, porém todos que aparecem em cena são potenciais suspeitos.

A tensão só aumenta quando um homem aparece com um celular na mão, eis a primeira baixa do filme. A perda do especialista em desarme é logo reposta com a chegada do Sargento William James (Jeremy Renner), sujeito diferente, ousado e por vezes inconsequente, fato que irrita o Sargento Sanborn (Anthony Mackie), companheiro de trabalho acostumado ao rigor técnico das missões. Enquanto James usa a adrenalina das missões como uma espécie de droga injetável, Sanborn conta os dias para o retorno para casa. Entre diversas missões o filme também revela o tempo que resta para a companhia encerrar suas atividades no país. O choque entre os dois sargentos é observado pelo soldado Eldridge (Brian Geraghty), o mais pessimista do trio.

Cada passo no solo seco do Iraque revela um perigo iminente, mesmo com todo o poder de fogo, o trio sabe que qualquer descuido pode custar a vida de alguém. O trabalho de pesquisa para composição dos personagens fora perfeito, se não fosse formatado enquanto ficção, as missões se enquadrariam como registro documental, tamanho rigor militar desenvolvido pelos atores. Mas o melhor é seguir a coragem absurda de James em sua arriscada profissão, o sargento guarda os dispositivos de detonação como lembranças de um aparente sucesso. James se envolverá sentimentalmente com o local enquanto para os demais aquele momento não passará de um breve estágio no inferno.

Kathryn Bigelow mostra o quanto a guerra vai corroendo a sanidade humana com seus personagens defeituosos, não existem heróis no campo de batalha. James, o único que poderia figurar como herói, é mais um atormentado que usa a guerra como válvula de escape para os próprios problemas. Não existe a bandeira americana tremulando e clamando pela vitória, talvez esta seja a principal qualidade do filme. Três homens lutam pela sobrevivência, uma pena que não exista o lado iraquiano, as bombas parecem que brotam sozinhas do solo. O desarme é feito para que o imperialismo americano avance sem qualquer perigo. Pode ser que exista petróleo embaixo de tantos explosivos ou será que o desarme é em prol das famílias iraquianas?

O filme não discute essa questão pois permanece preso a seus personagens. Ao término da estadia no Iraque, James retorna a sua esposa e filho mas sente a dificuldade de digerir as memórias do conflito. A sequência final revela qual é o verdadeiro campo de batalha do Sargento. Percebemos que a guerra é uma droga, mas que o filme é ótimo para refletir sobre o significado das ações militares cotidianas. Uma pena que com um título mal traduzido e uma distribuição as escondidas um dos melhores filmes do ano tenha que ficar desarmado na prateleira de uma video-locadora de esquina.