07/12/2009

Semana passada corri com uma amiga até a FAAP com medo de perder a exposição dos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, dupla internacionalmente conhecida como OSGEMEOS. Citei o belo trabalho de ambos no começo do ano quando defendi o grafite do inglês Banksy pelas ruas londrinas. Na ocasião defendi o grafite como meio de expressão artística elogiando o reconhecimento que grafiteiros estavam recebendo nos últimos anos. Porém algo me indignava – como uma dupla tão talentosa, com trabalhos expostos nas principais cidades do mundo seria tão pouco conhecida no país de origem?
Logo pensei que o motivo para tal fosse nossa mídia deficiente ou quem sabe a falta de patrocínio e espaço para que um expositor bancasse as possíveis instalações. Diria que a segunda alternativa balançou com a mostra organizada pela Fundação Armando Álvares Penteado. Em Vertigem, a dupla OSGEMEOS mergulha no próprio universo, antes solto entre as paredes urbanas e agora preso a personagens amarelos em um espaço trancado por uma bela imaginação pictórica. Na exposição há o contraste do que parece real, exemplificado na simplicidade de um cômodo com diversos apetrechos, com o que por vezes parece surreal como no caso dos personagens que brotam pelas paredes.
Não existe apenas o grafite, a arte se expandira para o artesanato, a música e outras vertentes. Talvez por isso o título Vertigem, já que caímos em um ambiente extremamente rico e agradável para refletir. A influência do movimento surrealista parece forte com imagens que provocam diversas interpretações – Teria o violão derretido, alguma semelhança com os relógios em mesmo estado de Salvador Dalí? Talvez, mas em um universo tão novo fica difícil perder tempo com qualquer tipo de comparação abstrata. O melhor é participar da brincadeira e tentar passar pelo pequeno vão do barco ou tocar a partitura que acompanha as teclas de um Acordeon.
Nossos amigos amarelos parecem presos a um tempo específico, por alguns instantes estão num cotidiano humilde e em outros dividem a cena com o caos urbano como na imagem que acompanha esta postagem. A exploração fica mais divertida quando percebemos que existem outras imagens dentro daquela definida como principal. Uma pena que tudo acabe tão rápido. Fico feliz ao finalmente ver a exposição da dupla recebendo o merecido destaque mesmo que encarcerada pelo olhar crítico. Que os grafites artísticos continuem pelos muros urbanos até que ninguém ouse passar uma mão de tinta na criatividade alheia.
Leave a Comment » |
Arte, Eventos | Tagged: osgemeos |
Permalink
Publicado por Thiago
26/06/2009

Será que a arte precisa de bula?
A cada dia é possível perceber que, por mais amplo que seja o significado da Arte, este termo vem se desgastando. Já nos é conhecido o fato de que a arte é vista na maior parte do tempo como um luxo desnecessário, quando na verdade ela preserva a nossa integridade e identidade enquanto seres humanos ao longo dos anos.
Por necessidade os seres humanos caçaram, construíram abrigos e se organizaram socialmente, mas não foi por este mesmo tipo de necessidade básica que surgiram códigos complexos de comunicação e expressão. Não são as necessidades básicas que nos tornam seres profundos, e por essa razão e direito de expressão é que todos recorremos de algum modo à arte. Das músicas que ouvimos às roupas que usamos, a arte nos faz ser como somos.
O que dizer então do intelectualismo crescente e da elitização da arte nas galerias e bienais? Como no conto infantil da roupa nova do imperador (ou rei), o público comum espera a aprovação de elites e organizações políticas ou institucionais antes de afirmar para si o que é ou não arte. Muitas vezes repetimos o que ouvimos e lemos sem nos darmos conta de que o imperador está nu bem diante de nossos olhos.
Em alguns países mais tradicionais, arte e artesanato não estão distantes. Existe uma ponte e um comprometimento entre artistas e artesãos, pois do trabalho de um depende a arte do outro e cada um é artista ao seu modo.
Na nossa realidade, batalha-se pela aprovação da arte das ruas e das mídias, dos grafites e dos videogames. Que bobagem! A arte não necessita de aprovação formal, ela existe para tocar os sentimentos daqueles que a apreciam.
________________________________________________
Julia Stateri é designer gráfica e fundadora do grupo e-Storias de pesquisa em narrativas digitais.
Leave a Comment » |
Arte | Tagged: Arte, contemporâneo, crítica, mídia |
Permalink
Publicado por juliastateri
28/04/2009

Quem disse que grafite não pode ser considerado “Arte”? E o muro não pode ser transformado em uma tela?
Talvez o movimento artistico propulsor da dúvida sobre o que é ou não é Arte tenha sido o Dadaísmo. Marcel Duchamp e sua trupe colocaram uma eterna dúvida na cabeça de diversos críticos. Porém esse questionamento passa longe do trabalho do britânico Banksy, um artista que usa o grafite para dialogar com a sociedade.

O trabalho de Banksy é conhecido mundialmente e as fotos de suas obras já percorreram o mundo. Um dos trabalhos que destaco foi realizado em um muro que corta a Palestina. Na obra abaixo, Banksy faz uma crítica ao conflito inesgotável entre Israel e Palestina.

No Brasil temos o trabalho da dupla osgemeos que infelizmente tem mais reconhecimento internacional do que nacional. Uma pena que essa expressão artistica ainda sofra preconceitos, não há dúvidas que o grafite é uma reação natural ao movimento de urbanização acelerado que provoca desigualdades grotescas em uma mesma cidade. A periferia, região que abriga boa parte destes artistas ainda é vista com desconfiança por aqueles que tendem a julgar e divulgar a Arte em nosso país. Porém é inegável que essa e outras expressões artisticas, antes marginalizadas, estejam ganhando notoriedade, mesmo que este destaque esteja longe do ideal.
A transferência de crime para Arte é clara quando tratamos o grafite nestes últimos anos.
Leave a Comment » |
Arte |
Permalink
Publicado por Thiago