As Ervas Selvagens

18/08/2009

Herbesfolles

Sinopse:

Após um assalto, dentista tem seus documentos espalhados por um parque público. O homem que encontra sua carteira decide devolvê-la e os dois iniciam um relacionamento.

Lançamento: 04/11/2009


Haneke: Palmas para ele.

24/05/2009

Austrian

O diretor austriaco Michael Haneke foi agraciado com a Palma de Ouro pela sua última produção,  “A Fita Branca“, ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Depois de 10 dias de Festival e diversas críticas relacionadas aos filmes em competição, creio que tenha sido a melhor escolha, mesmo sem ter visto nenhuma das obras.

Haneke é o tipo de diretor que merece apoio e reconhecimento pela qualidade e ousadia presente nas suas produções. Lembro-me da provocação do diretor em Violência Gratuita, frustrando boa parte dos espectadores ao travar e rebobinar o filme para a cena anterior, confirmando sua posição de Diretor na decisão sobre o rumo da história.

Como esquecer o ousado A Professora de Piano, onde observamos o clássico na figura da tutora confrontado insistentemente com a sua sexualidade reprimida. Isabelle Huppert interpreta magistralmente a professora que chocou os recalcados admiradores da Sétima Arte.

Haneke voltaria a explorar o espaço público e privado em Caché, um suspense psicológico com Daniel Auteuil e Julette Binoche. O casal começa a receber gravações anônimas da residência e as dúvidas cercam o autor e a razão de envio das fitas.

Em todos os filmes citados a narrativa do diretor possui quebras fundamentais que geralmente chocam o espectador. Até certo ponto parecem filmes simples mas Haneke inesperadamente insere algo que destrói a zona de conforto criada anteriormente. O diretor usa as narrativas modernas, deixando de lado o fator entretenimento e convocando seus espectadores para diversas reflexões.

Dentro do atual cenário onde o cinema de autor desaparece entre a enxurrada de filmes mediocres penso que a premiação de hoje tenha sido justa. Apesar dos 67 anos, Haneke faz parte de uma nova safra de diretores que mantém viva o cinema em seu nível mais elevado – o de expressão artistica.

Palmas de Ouro para Michael Haneke!


A Palma de Ouro

13/05/2009

festival
Antes conhecido como Festival Internacional de Filmes, O Festival da cidade de Cannes foi idealizado no ano de 1939, porém com a Segunda Guerra Mundial e posterior invasão da França pelos Nazistas foi adiado para 1946. A Palma de Ouro, prêmio entregue ao grande vencedor do Festival foi instituida apenas em 1955, anteriormente o principal prêmio era conhecido como Grand Prix. Entre 1964 e 1974 o Grand Prix voltaria à Cannes como perceptível pela lista abaixo dos vencedores oficiais da desejada Palma de Ouro.

1955: “Marty”, de Delbert Man (Estados Unidos)
1956: “Le Monde du Silence”, de Louis Malle (França)
1957: “Friendly Persuasion”, de William Wyler (Estados Unidos)
1958: “Letiat Jouravly”, de Mikhail Kalatozov (União Soviética)
1959: “Orfeu Negro”, de Marcel Camus (França)
1960: “La Dolce Vita”, de Federico Fellini (Itália)
1961: “Viridiana”, de Luis Bunuel (Espanha)
1962: “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte (Brasil)
1963: “Il Gattopardo”, de Luchino Visconti (Itália)
1975: “Chronique des années de braise”, de Mohamed Lakhdar-Hamina (Argélia)
1976: “Taxi Driver”, de Martin Scorsese (EUA)
1977: “Pai, Patrão”, de Paolo e Vittorio Taviani (Itália)
1978: “A Árvore dos Tamancos”, de Ermanno Olmi (Itália)
1979: “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola (EUA) e “Le Tambour”, de Volker Schloendorff (República Federal da Alemanha)
1980: “Kagemusha”, de Akira Kurosawa (Japão) e “All that Jazz”, de Bob Fosse (EUA)
1981: “O Homem de Ferro”, de Andrzej Wajda (Polônia)
1982: “Desaparecido, um grande mistério”, de Costa-Gavras (EUA) e “Yol”, de Yilmaz Guney (Turquia)
1983: “A Balada de Narayama”, de Shohei Imamura (Japão)
1984: “Paris-Texas”, de Wim Wenders (República Federal da Alemanha)
1985: “Quando Papai saiu em Viagem de Negócios”, de Emir Kusturica (Iugoslávia)
1986: “A Missão”, de Roland Joffé (Reino Unido)
1987: “Sob o Sol de Satã”, de Maurice Pialat (França)
1988: “Pelle, o Conquistador”, de Bille August (Dinamarca)
1989: “Sexo, Mentiras e Videotape”, de Steven Soderbergh (EUA)
1990: “Coração Selvagem”, de David Lynch (EUA)
1991: “Barton Fink”, de Joel e Ethan Coen (EUA)
1992: “As Melhores Intenções”, de Bille August (Dinamarca)
1993: “O Piano”, de Jane Campion (Austrália) e “Adeus, Minha Concubina”, de Chen Kaige (China)
1994: “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, de Quentin Tarantino (EUA)
1995: “Underground – Mentiras de Guerra”, de Emir Kusturica (Iugoslávia)
1996: “Segredos e Mentiras”, de Mike Leigh (Reino Unido)
1997: “A Enguia”, de Shohei Imamura (Japão) e “Gosto de Cereja”, de Abbas Kiarostami (Irã)
1998: “A Eternidade e um Dia”, de Théo Angelopoulos (Grécia)
1999: “Rosetta”, de Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica)
2000: “Dançando no Escuro”, de Lars von Trier (Dinamarca)
2001: “O Quarto do Filho”, de Nanni Moretti (Itália)
2002: “O Pianista”, de Roman Polanski (Polônia)
2003: “Elefante”, de Gus van Sant (EUA)
2004: “Fahrenheit 9/11″, de Michael Moore (EUA)
2005: “A Criança”, de Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica)
2006: “Ventos da Liberdade”, de Ken Loach (Irlanda)
2007: “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, de Cristian Mungiu (Romênia)
2008: “Entre os Muros da Escola”, de Laurent Cantet (França)


Les Herbes Folles

29/04/2009

lesherbes1

Alain Resnais está de volta! Aos 86 anos o famoso diretor francês  retorna aos cinemas com a obra Les Herbes Folles, baseada no romance L´Incident de Christian Gailly. O filme conta a história de uma dentista (Sabine Azéma) que depois de ser assaltada tem seus documentos espalhados em um parque público, local onde um homem (André Dussolier) encontra a carteira e decide devolvê-la, iniciando assim uma relação entre ambos.

A simplicidade do enredo deve ser superada pela maestria de Resnais na direção. O cineasta da memória concorrerá a disputada Palma de Ouro do Festival de Cannes 2009. Teria fôlego para ganhar de Pedro Almodovar, Isabel Coixet, Ken Loach, Tarantino ou Lars Von Trier?

O Júri desse ano será presidido pela bela atriz Isabelle Huppert. A tarefa não será fácil pois a relação de diretores concorrendo impressiona por si mesma. Dificil será estabelecer um critério que julgue todas essas produções. Torço por uma vitória de Resnais, diretor que ainda não levou a Palma de Ouro. Seria a coroação de uma bela carreira, marcada por uma filmografia em parte ainda desconhecida em nosso país.

Uma coisa é certa, estou ansioso para ver todos esses filmes. O Festival desse ano promete. Dá-lhe Resnais!!