25/12/2009

O mundo parou
A estrela morreu
No fundo da treva
O infante nasceu.
Nasceu num estábulo
Pequeno e singelo
Com boi e charrua
Com foice e martelo.
Ao lado do infante
O homem e a mulher
Uma tal Maria
Um José qualquer.
A noite o fez negro
Fogo o avermelhou
A aurora nascente
Todo o amarelou.
O dia o fez branco
Branco como a luz
À falta de um nome
Chamou-se Jesus.
Jesus pequenino
Filho natural
Ergue-te, menino
É triste o Natal.
Vinicius de Moraes
Leave a Comment » |
Poesia |
Permalink
Publicado por Thiago
20/12/2009

Guerra ao Terror
Senhor, quando os campos são frios
E nos povoados desnudos
Os longos ângelus são mudos…
Sobre os arvoredos vazios
Fazei descer dos céus preciosos
Os caros corvos deliciosos.
Hoste estranha de gritos secos
Ventos frios varrem nossos ninhos!
Vós, ao longo dos rios maninhos,
Sobre os calvários e seus becos,
Sobre as fossas, sobre os canais,
Dispersai-vos e ali restais.
Aos milhares, nos campos ermos,
Onde há mortos recém-sepultos,
Girai, no inverno, vossos vultos
Para cada um de nós vos vermos,
Sede a consciência que nos leva,
Ó funerais aves das trevas!
Mas, anjos do ar, no alto da fronde,
Mastros sem fim que os céus encantam,
Deixai os pássaros que cantam
Aos que no breu do bosque esconde,
Lá, onde o escuro é mais escuro,
Uma derrota sem futuro.
Arthur Rimbaud
Leave a Comment » |
Poesia |
Permalink
Publicado por Thiago
13/12/2009

À Deriva - Melhor Fotografia - Festival de Cuba 2009
Às vezes, uma dor me desespera…
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera…
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Olavo Bilac
Leave a Comment » |
Poesia |
Permalink
Publicado por Thiago
06/12/2009

Mário Bortolotto
Corpo na calçada…a cabeça no asfalto,
Numa cena triste que se tornou cotidiana…
Eis mais uma vítima da violência urbana!…
O infeliz, destemidamente, reagiu ao assalto…
O círculo de pessoas que se engrossa
Ao redor do corpo, estendido daquele jeito…
Da ferida, aberta como flor no peito,
Brota o sangue que na calçada empoça.
Pobre vítima de menores delinquentes,
Dizem as pessoas olhando-o, indiferentes…
Habituadas a verem essa cena cotidiana…
Em meio ao progresso que se expande,
Eis o lado triste e podre da cidade grande.
A incontida explosão da violência urbana!…
Agenor Martinho Correa
Leave a Comment » |
Poesia |
Permalink
Publicado por Thiago
29/11/2009

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar…
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.
Cecilia Meireles
Leave a Comment » |
Poesia | Tagged: Cecilia Meireles |
Permalink
Publicado por Thiago
22/11/2009

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto
E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? “
E eu vos direi:
“Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e e de entender estrelas
Olavo Bilac
Leave a Comment » |
Poesia | Tagged: Estrelas, Olavo Bilac |
Permalink
Publicado por Thiago
15/11/2009

Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.
Cecília Meireles
Leave a Comment » |
Poesia |
Permalink
Publicado por Thiago
08/11/2009

“Esse teu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas que eu não posso acreditar…
Doce é sonhar, é pensar que você,
Gosta de mim, como eu de você…
Mas a ilusão,
Quando se desfaz,
Dói no coração de quem sonhou,
Sonhou demais…
Ah, se eu pudesse entender,
O que dizem os seus olhos.”
Tom Jobim
Leave a Comment » |
Poesia | Tagged: Tom Jobim |
Permalink
Publicado por Thiago